25 setembro 2025

onde

 

onde estais

que já nem sei se estiveram tão só o miúdo graúdo dentro de um saco plástico e que aos poucos é crucificado por uma artéria louca e em contramão

 

uma árvore é bisma abismal na língua de um gato em fúria

no café da lua cheia sempre escuro e vidrada cada palavra que é lançada à torradeira

o café esfria e sente porque sei que ele sente os gemidos das ondas electromagnéticas e frenéticas como a asma depois de uma tempestade

 

vivia eu sentado de cabeça para baixo do alto penhasco e bastava um abraço para que todas aquelas pedras desaparecessem da montanha

mas o rio é um mito mitológico capaz de se erguer sempre que um barco chorava junto ao cais

 

e eu olhava-o sem chorar

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