15 setembro 2025

a pulga

 

o que dirá a pulga que brinca no meu corpo, o que pensará ela de mim, se passeando ao ritmo do alecrim, no vento sentido

que foge, que embarca no silêncio e voa como uma lágrima de luz, nas mãos de um pincel invisível, poisado sobre a mesa.

 

o que dirá esta pulga, às outras pulgas, da sensação de se passear no meu corpo magríssimo, quase esqueleto, o que dirá a voz, da pulga sem voz, da minha voz

entre os pinheiros escondidos no sorriso de uma corça.

 

o que dirá o poema depois de eu o escrever, aos outros poemas, e também às outras pulgas, sobre mim, o que dirá aquele senhor velho, e só, só no jardim,

sobre mim,

o que ele dirá, de mim…

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