Tudo arde, o cérebro é
uma vagina em cio, é o arbusto, trémulo, só
Só e com frio
Tudo arde, tudo é vazio,
um copo com água, uma metralhadora, um fio, uma mulher grávida, uma espingarda
Tudo arde, a lebre corre
mar adentro, a casa é uma ruína, o menino, tem má sina, a chuva cai,
Cai em cima, sobre a mão,
depois da morte
Ele nunca teve sorte, o
capim abraçava-o, e hoje
Não capim, não abraço, ia
ao terraço, puxava um cigarro, inventava árvores, onde só habitavam, pedras
E laços, e pescoços trociscados,
arrefecidos por nitrogénio, o mais barato que puder, que fique em conta
Na montra, no rio
sonâmbulo, que a terra arde, como tudo
Arde.
Dois corpos em lágrimas
de fogo, dois livros, presos, numa prateleira quase medusa, também às vezes
O pequeno cobertor, o
lírio de uma égua, o latir do cachorro, quando regressa
A noite.
Tudo arde, na noite.
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