29 agosto 2025

a boca

 

a boca serpenteada, em pequenas lâminas de vidro, no espelho, a chuva vindoura na alegria de uma lágrima

a boca é espuma, arde no sulfúrico silêncio de um gato preto, mudo, surdo

 

a manhã a erguer-se, a voar no sorriso de um luar, os barcos já partiram, e as nuvens são alfaces desperdiçadas num qualquer prato, em lata

as casas, os olhares, em lata

que traz o aço enganchado que a boca cospe

 

a boca.

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