29 agosto 2025

Poesia, ser

 

Se a minha mão fosse uma espada, eu a cravava no peito

Se a minha caneta fosse uma espingarda, eu disparava a palavra

Contra o muro do medo

Se eu tivesse força, eu derrubava o muro do medo

 

E construía a pirâmide do silêncio, nas areias finas poisadas sobre a mesa,

Se eu fosse uma mão e uma espada e uma lança

Que lança contra o vento, a espingarda de outro vento

 

E sorri quando olha o luar, quase sangue, quase

Se eu fosse a noite, eu me mataria, e queria

Ser outro dia, ser

Poesia, ser.

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