24 agosto 2025

Charrua de luz

 

Uma charrua de luz desbrava os teus seios ocultos, que cada lágrima chorada, que cada latido ou a um miau, uma página é semeada e rasgada, uma palavra, disparada

E uma caneta é poisada,

Sobre a secretária,

A cadeira, quase sentada, quase vazia, o livro invisível, correndo montanha abaixo, uma criança lança pedras ao rio, um homem se mata, se mata com frio,

E deixa, dois meninos e mutos livros,

 

E se a minha mão fosse a noite crua, e tão só, dormindo nos teus seios, se a primavera está quase a chegar, daqui a pouco é Natal, e tudo fica tão triste, tão mal

Tão mísero quintal mergulhado na insípida manhã de ontem,

E a voz de uma outra enxada de luz, o sorriso diáfano e quase chuva do silêncio de uma pedra, e que que cada charrua, de luz, e que cada lua, se na minha mão falassem, ou até

Ou até,

Vivessem

 

Ou até lá brincassem

Um barco tritura as amêndoas que acabam de acordar do poema, que o mar é tão belo, e que às vezes, é tão feio, e é tão triste

Que só as palavras de um poeta, o conseguem alegrar

Que a brincadeira, se brincassem, se dessem as mão, e se se olhassem, quando o espelho ainda está frio, e ainda quase ou nada sabe de poesia

 

Uma charrua de luz desbrava os teus seios ocultos, que cada lágrima chorada, que cada latido ou a um miau, uma página é semeada e rasgada, uma palavra, disparada

E uma caneta é poisada,

Sobre a secretária,

 

E ninguém mais viu o poeta.

Sem comentários:

Enviar um comentário