Uma charrua de luz
desbrava os teus seios ocultos, que cada lágrima chorada, que cada latido ou a
um miau, uma página é semeada e rasgada, uma palavra, disparada
E uma caneta é poisada,
Sobre a secretária,
A cadeira, quase sentada,
quase vazia, o livro invisível, correndo montanha abaixo, uma criança lança
pedras ao rio, um homem se mata, se mata com frio,
E deixa, dois meninos e
mutos livros,
E se a minha mão fosse a
noite crua, e tão só, dormindo nos teus seios, se a primavera está quase a
chegar, daqui a pouco é Natal, e tudo fica tão triste, tão mal
Tão mísero quintal
mergulhado na insípida manhã de ontem,
E a voz de uma outra
enxada de luz, o sorriso diáfano e quase chuva do silêncio de uma pedra, e que
que cada charrua, de luz, e que cada lua, se na minha mão falassem, ou até
Ou até,
Vivessem
Ou até lá brincassem
Um barco tritura as
amêndoas que acabam de acordar do poema, que o mar é tão belo, e que às vezes,
é tão feio, e é tão triste
Que só as palavras de um
poeta, o conseguem alegrar
Que a brincadeira, se
brincassem, se dessem as mão, e se se olhassem, quando o espelho ainda está
frio, e ainda quase ou nada sabe de poesia
Uma charrua de luz
desbrava os teus seios ocultos, que cada lágrima chorada, que cada latido ou a
um miau, uma página é semeada e rasgada, uma palavra, disparada
E uma caneta é poisada,
Sobre a secretária,
E ninguém mais viu o
poeta.
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