São quase meias-horas
neste pêndulo sem rumo, deste silêncio de fumo, e de luz, são quase
meias-horas, meu amor, todas as horas, dos minutos perdidos, a olhar o mar
São quase meias-horas, de
muitos minutos sofridos, na ausência, quando a morte em pequenos círculos, e
somos também um círculo, e somos também, o vento, que dispara, que balança, e corrói
A madrugada
Que o corpo não tem alma,
que eu já não tenho corpo, e também,
Quanto a alma,
É como o dinheiro,
escasseia
Se de uma escada de luz
eu conseguisse ouvir o sorriso de uma lâmpada, de mão dada, de mão entrelaçada,
Na mão, na mão de uma
outra escada
E já é madrugada, dentro
destas meias-horas deste pêndulo cinzento como a chuva, quando batia na
vidraça, e colocava os bracinhos no parapeito da janela, e olhava
E sonhava,
E cada gotinhas, de
toadas as meias-horas, no sorriso de uma estrela,
Ausente
E tão longe, e tão
distante.
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