24 agosto 2025

Meias-horas

 

São quase meias-horas neste pêndulo sem rumo, deste silêncio de fumo, e de luz, são quase meias-horas, meu amor, todas as horas, dos minutos perdidos, a olhar o mar

 

São quase meias-horas, de muitos minutos sofridos, na ausência, quando a morte em pequenos círculos, e somos também um círculo, e somos também, o vento, que dispara, que balança, e corrói

A madrugada

 

Que o corpo não tem alma, que eu já não tenho corpo, e também,

Quanto a alma,

É como o dinheiro, escasseia

Se de uma escada de luz eu conseguisse ouvir o sorriso de uma lâmpada, de mão dada, de mão entrelaçada,

Na mão, na mão de uma outra escada

 

E já é madrugada, dentro destas meias-horas deste pêndulo cinzento como a chuva, quando batia na vidraça, e colocava os bracinhos no parapeito da janela, e olhava

E sonhava,

E cada gotinhas, de toadas as meias-horas, no sorriso de uma estrela,

Ausente

 

E tão longe, e tão distante.

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