A árvore morre sentada
sobre a lareira, o pássaro, sofre
E não mais voará, a cada
nova primavera,
O poema morre na sebenta
de uma abelha, esconde-se na esfera invisível de um simples olhar, a casa
Deserta, e só, e também
morta
E depois estrada, e
depois
Primavera nos olhos da
serpente,
O dia que será quase
gente, sempre que a noite é o clarão que se ergue do espelho, o adeus
A ferrugem de uma
fotografia, o aço transformado em papel, colorido,
Talvez em dor, talvez,
Talvez sofrido,
A árvore sentada e a
lareira a abraça, e a lareira
A chama, em chama
Se uma mão me tocasse,
que fosse mesmo a mão da árvore, ou se os lábios da lareira, me beijassem
Eu também sentado, em
chamas, que a mim ninguém me chama,
De amor, ou de flor,
Mas dizem, dizem que sou
um coitado,
Sentado.
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