29 agosto 2025

A sebenta de uma abelha

 

A árvore morre sentada sobre a lareira, o pássaro, sofre

E não mais voará, a cada nova primavera,

 

O poema morre na sebenta de uma abelha, esconde-se na esfera invisível de um simples olhar, a casa

Deserta, e só, e também morta

E depois estrada, e depois

Primavera nos olhos da serpente,

 

O dia que será quase gente, sempre que a noite é o clarão que se ergue do espelho, o adeus

A ferrugem de uma fotografia, o aço transformado em papel, colorido,

Talvez em dor, talvez,

Talvez sofrido,

 

A árvore sentada e a lareira a abraça, e a lareira

A chama, em chama

Se uma mão me tocasse, que fosse mesmo a mão da árvore, ou se os lábios da lareira, me beijassem

Eu também sentado, em chamas, que a mim ninguém me chama,

De amor, ou de flor,

Mas dizem, dizem que sou um coitado,

 

Sentado.

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