Um grito, um outro grito,
frito
Se o rio dos teus seios,
aflito, esse depois do arvorar, antes
Que o grito, grite
E morra aos gritos
Aflitos, nós todos, os
fios positivos, os fios negativos
O eclipse quase, quase a
acordar na copa dos plátanos, aflitos
Eles estavam aflitos, os
outros, amanhã, estarão, também aflitos
E o meu grito, aflito
De frio, morre na boca de
um grito
Se o rio dos teus seios,
grita, o grito silêncio do sonho mais sonhado do corpo quase água, as pedras
que voam, que se beijam, e que
Às vezes, tantas vezes,
fodem também as vidraças
Eu cá estou, desde ontem,
ainda o mar era apenas um pedacinho de pele colocado sobre a fimbria manhã de
uma flor, e que grito
Aquela medusa que se
escondia debaixo da mesa, chamavam-na
E ela,
O que foi agora
Que o rio dos teus seios,
hoje
Que o livro que leio, é
falso
Aliás, não sei porquê o
meu grito
De neste momento, reler e
ler, O Mário de Sá-Carneiro, ler
E pergunto-me,
Porque daria ele um tiro
nos miolos, coitado, tão novinho… vinte e seis anos, e muita poesia
E pum
Tão triste o grito, tão
triste o vento que grita, e triste tão
A fogueira da seara, entre
as coxas de uma duna, quase cinza, as lágrimas de uma maçã, quando uma qualquer
Eva, a come
E depois cospe as pevides
contra o cortinado do abismo, tantas eram a migalhas sobre a mesa
E a mesa sobre outra
mesa, dispo-a e grito
Sentido o grito da chuva,
depois do grito,
Pum.
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