26 junho 2025

último morrer

 

que o seja, morrer descendo após o suplício erguer de uma espada,

cravar a espada na primeira nuvem que acordar, e esperar

que o rio rompa a noite mergulhada na sinfonia flor de um coitado, o poeta quase água, dentro de um copo…

 

que o seja, morrer no silêncio de um olhar, que a morte traga a paz reflectida no espelho da noite anterior, que morrer será feliz

acolhendo no corpo as ervas rejeitadas pela aurora boreal de um beijo,

e se ergue da mão, a espada, que traz a morte

e afugenta o alegre cansaço de viver,

 

que o seja, seja apenas o seu último morrer.