25 junho 2025

na palavra morte

 

frio gelo na palavra morte, que esconde, não ser e o ter desartilhado depois do almoço, ouve-se o roncar das rodas dentadas

o chilrear dos baloiços, a chuva é milenar, é sabedoria nos restos mortais da palavra,

morte

 

também morrem as crianças, a fome miséria de uma dentada num pedacinho de pão

e ão

o ão de uma lágrima esgrimindo confidências a uma cadeira quase concha, na areia milagre capaz de resistir a mil dentadas do diabo

 

o rabo desaparece entre a neblina de uma fotografia, é sempre sábado neste calendário enferrujado, procurando o mecias, na argamassa, o aço, o aço entranha-se-lhe nos ossos,

e morre,

acreditando no destino…

em ser um parafuso de pressão.