saberá um camelo o que é a paixão? e de quatro peixes, quais, ou qual, me escreve a cada amanhecer, e o que dirão, quatro peixes indefesos, quando da minha presença e os alimento
- és tão tolo
que talvez tenha nascido
para cuidar de quatro peixes, de os alimentar, e de lhes ler alguns dos meus
poemas
e o que dirão, todos
aqueles que diziam, que de um calhau, apenas cacau e gajos sem dinheiro,
dentro de uma
vagina-algibeira, o forno da modernidade
o todo ódio-poderoso da
alavanca, e sentindo o peso da lua, capaz de rasgar as mandibulas a uma carcaça
de vento, depois da meia-noite,
junto ao rio
dançávamos entre
solstícios e tragédias, uma flor que morre
depois,
outra erva, outra casa,
outra lua, e outra,
e outra carcaça de vento,
que às vezes ele sente, o sentido obscuro de sentir a espada cravada no peito,
e nem a espada, e nem o peito, pertencem a esta alvorada
pertencem a este pobre e
sem jeito
do aleito, nada a dizer,
e que todas as manhãs são cinzentas, são pernas envidraçadas suspensas numa
mesa imaginada por uma árvore-flor, que também é conhecida,
por
por,
por espingarda-amor
e o camelo ainda não
entendeu, que deus o fez, salvo o seja, marreco, e mesmo assim, depois da tarde
abraçar o pôr-do-sol, a lua pertence apenas ao destino, de uma mão
de um só menino
dos lábios suaves de uma
canção
e tenho pena deste
camelo, tenho tanta pena, que se eu pudesse,
e se ele o quisesse,
claro,
eu lhe diria que pegasse
num revolver
e que escrevesse nos
miolos,
que se fodam as árvore-flor
de todo o planeta terra
saberá então, um camelo,
o que é a paixão?
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