22 maio 2025

saberá então, um camelo, o que é a paixão?

saberá um camelo o que é a paixão? e de quatro peixes, quais, ou qual, me escreve a cada amanhecer, e o que dirão, quatro peixes indefesos, quando da minha presença e os alimento

- és tão tolo

 

que talvez tenha nascido para cuidar de quatro peixes, de os alimentar, e de lhes ler alguns dos meus poemas

e o que dirão, todos aqueles que diziam, que de um calhau, apenas cacau e gajos sem dinheiro,

dentro de uma vagina-algibeira, o forno da modernidade

 

o todo ódio-poderoso da alavanca, e sentindo o peso da lua, capaz de rasgar as mandibulas a uma carcaça de vento, depois da meia-noite,

junto ao rio

dançávamos entre solstícios e tragédias, uma flor que morre

depois,

outra erva, outra casa, outra lua, e outra,

 

e outra carcaça de vento, que às vezes ele sente, o sentido obscuro de sentir a espada cravada no peito, e nem a espada, e nem o peito, pertencem a esta alvorada

pertencem a este pobre e sem jeito

 

do aleito, nada a dizer, e que todas as manhãs são cinzentas, são pernas envidraçadas suspensas numa mesa imaginada por uma árvore-flor, que também é conhecida,

por

por,

por espingarda-amor

 

e o camelo ainda não entendeu, que deus o fez, salvo o seja, marreco, e mesmo assim, depois da tarde abraçar o pôr-do-sol, a lua pertence apenas ao destino, de uma mão

de um só menino

dos lábios suaves de uma canção

 

e tenho pena deste camelo, tenho tanta pena, que se eu pudesse,

e se ele o quisesse, claro,

eu lhe diria que pegasse num revolver

e que escrevesse nos miolos,

que se fodam as árvore-flor de todo o planeta terra

 

 

saberá então, um camelo, o que é a paixão?

Sem comentários:

Enviar um comentário