22 maio 2025

Apenas, apenas uma sopa e um pedaço de broa; digo. Pão de Favaios

Sempre que um livro se masturba, a culpa é do carpinteiro

Podia, podia muito bem o culpado ser o livreiro, que deixa as mãozinhas livres e despertas de todos estes livros,

Mas o carpinteiro fez a cama, o leito, e fez também o desejo, depois colocou um espelho, frente-e-verso, e nada a acrescentar

A não ser, sempre que um livro se masturba, a culpa

A culpa um dia será do barbeiro, porque não?

Então?

Saberá o barbeiro quantos pelos púdicos tem uma varinha-mágica, depois de disfarçar os legume e a batata, numa sopa acabada de fazer

Numa sopa, que podia muito já vir confeccionada, dentro de uma lata

 

Uma sopa enlatada.

 

Uma sopa assassinada, que inventa luas nos cofres de uma bananeira, saberá então o pedinte, quantos lírios-destino habitam na panela quase água, quase uma sopa, uma sopa molhada,

Húmida, como a púbis de uma amendoeira

 

E se o pedinte rejeitar a sopa, porque tem um sabor aligeirado, e quase curvilíneo de uma vagina em aflição, mas o pedinte tudo come, quando a fome é uma alegria depois do orvalho e depois da chuva,

 

E se eu fosse o pedinte, juro, juro que não queria saber se a sopa sabia ou não sabia a um aligeirado, e quase curvilíneo de uma vagina em aflição,

Eu apenas queria,

Comer uma boa sopa e um bom pedaço de broa; digo. Pão de Favaios.

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