Sempre que um livro se masturba, a culpa é do carpinteiro
Podia, podia muito bem o
culpado ser o livreiro, que deixa as mãozinhas livres e despertas de todos
estes livros,
Mas o carpinteiro fez a
cama, o leito, e fez também o desejo, depois colocou um espelho, frente-e-verso,
e nada a acrescentar
A não ser, sempre que um
livro se masturba, a culpa
A culpa um dia será do
barbeiro, porque não?
Então?
Saberá o barbeiro quantos
pelos púdicos tem uma varinha-mágica, depois de disfarçar os legume e a batata,
numa sopa acabada de fazer
Numa sopa, que podia
muito já vir confeccionada, dentro de uma lata
Uma sopa enlatada.
Uma sopa assassinada, que
inventa luas nos cofres de uma bananeira, saberá então o pedinte, quantos
lírios-destino habitam na panela quase água, quase uma sopa, uma sopa molhada,
Húmida, como a púbis de
uma amendoeira
E se o pedinte rejeitar a
sopa, porque tem um sabor aligeirado, e quase curvilíneo de uma vagina em
aflição, mas o pedinte tudo come, quando a fome é uma alegria depois do orvalho
e depois da chuva,
E se eu fosse o pedinte,
juro, juro que não queria saber se a sopa sabia ou não sabia a um aligeirado, e
quase curvilíneo de uma vagina em aflição,
Eu apenas queria,
Comer uma boa sopa e um
bom pedaço de broa; digo. Pão de Favaios.
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