22 maio 2025

navio

 

de quase aqui, enquanto sinto o frio destino de uma lâmpada depois da fotografia, onde mordiam os calcanhares, nuvens e milagres, desceu às profundezas do libério, que se dita e a escrita, a maré sentindo, também a alegria de um palhaço,

 

também o outro destino, o de um circo, que parecendo anedótico, era rectangular e tinha uma piscina olímpica, nas traseiras, junto ao posto da guarda nacional republicana,

 

literalmente, ela não queimou cinquenta e seis euros, literalmente, e às vezes, o céu é também quadriculado, que às vezes também, vem ter com ele um velho cacilheiro, depois era a chuva, quase nua, quase despida e despedida, e novamente admitida,

 

e agora, ela também nua

ela também despida, sentindo o peso da lua nas pálpebras de um beijo, também daqui, ali enquanto o albergue se perfila e marcha em direcção aos aposentos do senhor e do grande, altistíssimo

comandante deste pobre navio

 

e que navio, meu deus

e que navio, tão velho e ferrugento, que era tão belo, que era tão um só corpo, e hoje são pedaços e são

sucata, bocadinhos de pele na superfície de marte, do outro lado da rua, saturno quase mingua, quase desmaia, quase

 

quase sempre, a lua, a chuva, novamente a chuva e o vento…

e novamente,

navio

e novamente encanto,

depois é rio e desalento, e depois

outra vez navio, e novamente encanto.

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