12 abril 2025

Tempestade

Oh tempestade depois do silêncio, o teu cabelo é vento

O teu olhar, é lamento

Lágrima, oh tempestade depois da noite, depois da chuva,

Quando o mar é livro, quando o livro é

Um só poema; os teus lábios.

Os dias são os teus seios infinitamente escondidos numa sanzala, pobre menina, que chora, que se veste de chuva,

Oh tempestade depois do silêncio o teu corpo é um círculo quase mel,

Quase a minha mão...

Quase janela para o teu desejar.

Oh tempestade que não tem nome, idade de ser

Vaidade, tempestade deste céu e tantas saudades das tuas palavras e outras,

Luas.

E outras tantas madrugadas, oh também ausente também sentada na tempestade, pedra-pomes lançada ao mar erguer-me das lágrimas e das flores e das tuas,

Garras.

Oh tempestade saudade, quase destino,

Depois, milagre.

E se eu não fosse Ateu, diria que Deus está a iluminar o meu caminho.

Oh tempestade que foste menino, que foste lágrima

Que foste toque de sino, foste fanfarra, música

E poema,

Que foste o desejo, a carne quase papel milimétrico, que foste carril de um comboio que já morreu,

E hoje,

Sou eu.


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