Oh tempestade depois do silêncio, o teu cabelo é vento
O teu olhar, é lamento
Lágrima, oh tempestade depois da noite, depois da chuva,
Quando o mar é livro, quando o livro é
Um só poema; os teus lábios.
Os dias são os teus seios infinitamente escondidos numa sanzala, pobre menina, que chora, que se veste de chuva,
Oh tempestade depois do silêncio o teu corpo é um círculo quase mel,
Quase a minha mão...
Quase janela para o teu desejar.
Oh tempestade que não tem nome, idade de ser
Vaidade, tempestade deste céu e tantas saudades das tuas palavras e outras,
Luas.
E outras tantas madrugadas, oh também ausente também sentada na tempestade, pedra-pomes lançada ao mar erguer-me das lágrimas e das flores e das tuas,
Garras.
Oh tempestade saudade, quase destino,
Depois, milagre.
E se eu não fosse Ateu, diria que Deus está a iluminar o meu caminho.
Oh tempestade que foste menino, que foste lágrima
Que foste toque de sino, foste fanfarra, música
E poema,
Que foste o desejo, a carne quase papel milimétrico, que foste carril de um comboio que já morreu,
E hoje,
Sou eu.
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