12 abril 2025

Talvez seja o tempo

Talvez seja o tempo, talvez

Depois, depois tínhamos no olhar as rimas de uma manhã,

Tão triste, tão só

Aquele livro sobre a mesa-de-cabeceira,

O cortinado enjoado, a janela

Quase mar depois do inverno.


Talvez seja o tempo, quem o sabe

Quando nas mãos de um sorriso, uma flor sobe até ao céu

Talvez seja o sol, enquanto o dia permanece quase destino

Depois era o vento,

Antes de ser menino,

Muito antes, muito antes de ser o tempo.


Talvez seja esta janela, a criança mimada

As tardes quase em água, quase em lágrima

Uma estrela em papel, quase relógio

Depois foi o mel, depois

Depois voltou a ser o tempo…

E nunca mais desejou ser o sol. 


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