28 abril 2025

alvorada

acorrento-me a este pedaço de voz, alguém a deixou sobre a minha secretária, durante a noite

através do medo, depois se o vento o quiser, também

o poderá ser, ou talvez nunca o venha a ser,

um beijo de porcelana


acorrento-me a este pedaço de sentir, quando já nada sinto

e sei que lá fora, muito longe daqui, muito também, ausente

a voz que ela também desenha, e sente

a cada manhã que se suicida,

nas lágrimas de uma flor


talvez seja amor, talvez seja

apenas uma lágrima, triste e cansada, uma lágrima chorada

na distância de uma mão, ou até

quando já é alvorada


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