o rio maior do sol poema, a noite está quase a acabar e a pedra sente o que é uma lágrima ensonada,
da janela regressa a lua e a luz de um quarto silêncio na saliva do
desconhecido,
há estrelas horas e lugares para o meu corpo, mas não tem nome este corpo, o
fogo está quase todo dentro do meu coração,
e depois do inferno, a alegria de cada acordar e a cada madrugada um novo
sonho, nova distância na mão do mundo.
a palavra manhã quase também palavra janela para o rio, depois
o sobrenome mar nas pálpebras do gatilho de uma caneta, horas agradáveis que eu
vou semeando no corpo do poema, e escrevo na maré do teu beijo o acordar
durante a noite e te abraçar depois de o vento regressar às tuas mãos sem saber
que o rio está quase pronto para o dia e
o dia,
dentro do teu ventre carqueja que desce o teu corpo e beija o meu corpo
também...
o rio maior do sol poema, da chuva não é uma pedra na cabeça do desconhecido
vento, mas já há um abraço apertado que a lua está a desenhar na cama vestida
de luz quando o livro é um disfarçado malmequer pincelado de sémen que a vida
quase sempre soube que sendo um pássaro, hoje
é uma gaivota sobre o mar sereno das flores tuas mãos,
e se o capim esconde o teu cabelo, não tenho medo da manhã que vai nascer nas
pálpebras do sol, porque escrevo no rio maior do sol poema
a árvore onde estão as palavras do poema; e do poeta,
uma alegria imensa quase também palavra de deus que a vida faz girar contra a
tristeza e a lua cheia de luz, abraça-me e sei que não tenho mais medo de
sonhar...
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