tinha de ser, e quase que a lua está recheada de luz, há tantas estrelas nos olhos deste céu e tantas palavras que preciso de semear nas laranjeiras junto ao rio,
a lareira, hoje, é uma sinfonia de cores e de luz e de sonhos e de flores,
e tenho no meu corpo quase também uma fotografia retirada da sonolência da noite,
e percebo que são lindos os olhos vermelhos do sol, mas o meu olhar está tranquilo, em perfeito silêncio e de felicidade.
cada palavra é um disfarçado malmequer pincelado de luz, é uma realidade que não tem nome, é um círculo quase mel na colmeia do poeta que precisa de uma espingarda que dispare sílabas contra os poucos muros que restam, e que não têm o rio na penumbra mão de um adeus.
tinha de ser hoje, se a água fosse mais secreta de que um abraço, e se o capim escondesse o rio que me beijou enquanto as lâminas da madrugada olham pela janela do sol a noite quase melancólica na palavra que brilha no chão da chuva,
e basta apenas uma recta para que o meu corpo esteja em equilíbrio entre a noite e a pedra onde me sento, e de onde olho o dia depois de ser lareira e que não tem paciência para o derradeiro medo de voar...
voarei então!
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