o corpo é uma delícia do mar quase mar, quase que a sonolência da chuva traz as almofadas da noite, e mesmo assim
o corpo desce às primaveras de uma insónia, da janela, o som melódico de uma espingarda em combustão, depois
alguns grãos de sémen dissolvidos no desejo de uma cama vestida de gaivota
e a espuma transversal do silêncio, despe-se e se deita na mão do poeta, é noite, é dia, depois
sempre noite no tesão dos corpos que a geada floresce sabendo que nada mais acordará no inferno infinito livro já há muito tempo morto, cada palavra desse livro é um cadáver na garganta da chuva, e
se a lua se masturba nos lábios do luar, e se a chuva é também quase gente, o homem mortífero sabendo que depois da madrugada,
só a ausência traz prazer ao poeta... a cada corpo vencido, depois da vagina do adeus acordar e cuspir os sobejantes restos de esperma de um desejo fugaz, a palavra; e a primeira lágrima da madrugada é incinerada no até nunca mais de um amanhecer doente e envenenado pelo próprio silêncio, e apenas o pénis recorda o som de cada estrela desenhada no céu de uma cama imaginária.
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