Depois foi o teu corpo que não tinha nome, deixou de ser a lareira que já tinha o sono programado para as palavras do poema,
Depois foi criança e hoje,
É uma pedra na estrada, depois foi a água que a sonolência transformou em fogo, depois foi luz e também insónia,
Depois,
Depois foi poesia.
Depois foi o meu corpo quase também sem nome, quase também uma fotografia no espelho de uma casa, depois foi a chuva e hoje é o poema que voa sobre o rio,
Depois foi charrua, depois foi enxada, e pedra na mão e mão na mão do mundo travestido de luz,
Depois foi janela para o teu cabelo, depois foi galeria que não tinha o sono pincelado de sémen, depois foi orgia, depois livro e
Depois foi também,
O dia,
Depois foi fanfarra, bombo, depois foi
Depois foi novamente criança,
No sonhar de uma criança...
Depois foi a chuva que o rio leva para a cama manhã quase janela para o mar, quase também palavra quase também palavra na cabeça de alguém,
E hoje é o dia que está quase pronto para ser incinerado na mão do poeta...
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