16 março 2025

Depois foi o teu corpo que não tinha nome

Depois foi o teu corpo que não tinha nome, deixou de ser a lareira que já tinha o sono programado para as palavras do poema,

Depois foi criança e hoje,

É uma pedra na estrada, depois foi a água que a sonolência transformou em fogo, depois foi luz e também insónia,

Depois,

Depois foi poesia.

Depois foi o meu corpo quase também sem nome, quase também uma fotografia no espelho de uma casa, depois foi a chuva e hoje é o poema que voa sobre o rio,

Depois foi charrua, depois foi enxada, e pedra na mão e mão na mão do mundo travestido de luz,

Depois foi janela para o teu cabelo, depois foi galeria que não tinha o sono pincelado de sémen, depois foi orgia, depois livro e

Depois foi também,

O dia,

Depois foi fanfarra, bombo, depois foi

Depois foi novamente criança,

No sonhar de uma criança...

Depois foi a chuva que o rio leva para a cama manhã quase janela para o mar, quase também palavra quase também palavra na cabeça de alguém,

E hoje é o dia que está quase pronto para ser incinerado na mão do poeta...


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