13 março 2025

cada palavra é uma estrela vestida para o teu corpo quase transparente como o silêncio da chuva

cada palavra é uma estrela vestida para o teu corpo quase transparente como o silêncio da chuva, 

cada palavra é um círculo quadrático, é uma pedra na mão do mundo, e se ela se escreve no escuro olhar da cabeça que quase é morte e quase é também a vida quase toda ela louca, no inferno chão da casa, é porque o poço está quase pronto para ser encerrado... 


e depois se escreve a noite vestida de gaivota, e cada palavra não regressa mais à mão do poeta, cada palavra é uma invisível manhã quase janela para o teu cabelo. 


cada palavra é uma pessoa que não sabe porque escrevo e respiro a cada luar que acorda nos teus olhos, 

cada palavra é um cadáver mar que depois do pôr-do-sol o poema deixa ficar sobre os teus seios infinitamente escondidos numa sanzala noite de sono, e depois a luz, e depois o adeus e depois os teus lábios na boca do sol, 

cada palavra é a tua mão no esconderijo da terra, quase toda ela louca e que ainda acredita no sorriso dos plátanos, 


cada palavra é o teu corpo pincelado de luz quando o livro é um círculo quase todo ele com olhos verdes e pedaços de saliva quando o fogo silêncio é uma fogueira sem nome...

 

Sem comentários:

Enviar um comentário