23 fevereiro 2025

são tão poucas, meu amor, as pedras onde me sentar

são tantas as pedras atiradas, são tantos os sonhos desfeitos

e tantas são as madrugadas, e tantos são os meu defeitos

são tantas as montanhas a que tenho de subir, e tantos, tantos são os motivos para eu não sorrir, e desistir 

tantas são as ribeiras e os rios que tenho de atravessar,

são tantas, meu amor, tantas são as sombras

que preciso de rasgar


são tão poucas, meu amor, as pedras onde me sentar

e mesmo assim, meu amor, ainda consigo me sentar

são tantos os ossos do meu corpo que deixaram de me ouvir,

e tantas as flores do meu jardim que deixaram de florir,

são tantas, meu amor, são tantas as pedras atiradas

e tantas são as cortinas rasgadas, e sofridas e vaiadas…

são tantas as nuvens desenhadas, e tantas as palavras

em cada pedra atirada


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