13 fevereiro 2025

Era só uma jangada de vento que atravessava a estrada, foi lágrima, depois vestiu-se de guerreiro

Era só uma jangada de vento que atravessava a estrada, foi lágrima, depois vestiu-se de guerreiro, comeu, dormiu um pouco, acordou, não tinha sonhado, por acaso

E voou sobre a atmosfera ruiva e densa de uma triste madrugada.

 

Pegou na espingarda.

Disparou algumas palavras contra a protecção da noite, houve estrelas que caíram, muitas

Umas morreram, e outras,

Desmaiaram acreditando no sonho,

 

E até hoje viveram.

Era só uma jangada de vento que atravessava a estrada, talvez da vida,

Talvez, de nada.

Era tão bela e formosa a jangada, e era o dó do vento

O nó na garganta do dó da gravata, um ardor no peito, qualquer coisa mais parecida com uma abelha, esperta…

 

Era só a geada, foi em tempos uma jangada de vento

Que quase sempre,

Nunca tinha o silêncio, do vento

Nem o vento de nada.

 

Era tão definido o abismo e o destino

Um corpo, um menino

Algures a comer línguas de gato, depois o sorriso

Se esgueirou, perdoou, e se ergueu perante o Deus Criador; era só um menino com olhos de luz, e com o tempo, cegou, e hoje é a noite, e amanhã,

O que será este menino, amanhã?

 

Que era só, uma jangada de vento que atravessava a estrada, era só um menino que procurava o dia, quando era sempre noite,

Sobre a estrada…

 

Era só uma jangada, e pobre jangada…

Tão pobre, que às vezes o vento, pelo transporte,

Não lhe levava nada.

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