se pertencer a este sofrimento, de ter de vencer,
de ter de me erguer, até do vento
até do morrer
que vou acreditando, em ter de crescer
e olhar o sol e pincelar a chuva e à lua dizer
que sou uma flor, que sou uma palavra de escrever
crua e nua
enquanto o mar é um lamento
é uma charrua que quer ser gente
e que rouba à terra o sorriso de uma criança, que seja então também um poeta, também outra criança,
se pertencer a este poema, e se eu o querer, e se eu o for
a este sofrimento
a esta dor.
se eu o pertencer, se eu me erguer deste agachamento, deste desespero de ser e de sofrer, e não o ter, o caminhar antes do sol nascer, antes da lua e do vento,
se eu o for, se eu sonhar antes de morrer,
e se tudo for uma imagem das letras desesperadas, das noites e muitas,
sem madrugadas.
se tudo for nada, quando o nada pode ser
a manhã no beijo de uma esperança, se eu me erguer, se eu despertar
se tudo for nada, quando tudo pode ser apenas o sonhar,
ou um livro para ler,
ou uma flor para cheirar,
que tudo, que tudo o pode ser,
mesmo ser o dia antes de nascer…
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