27 fevereiro 2025

a manhã no beijo de uma esperança

se pertencer a este sofrimento, de ter de vencer,

de ter de me erguer, até do vento

até do morrer

que vou acreditando, em ter de crescer

e olhar o sol e pincelar a chuva e à lua dizer

que sou uma flor, que sou uma palavra de escrever

crua e nua

enquanto o mar é um lamento

é uma charrua que quer ser gente

e que rouba à terra o sorriso de uma criança, que seja então também um poeta, também outra criança,

se pertencer a este poema, e se eu o querer, e se eu o for

a este sofrimento

a esta dor.


se eu o pertencer, se eu me erguer deste agachamento, deste desespero de ser e de sofrer, e não o ter, o caminhar antes do sol nascer, antes da lua e do vento,

se eu o for, se eu sonhar antes de morrer,

e se tudo for uma imagem das letras desesperadas, das noites e muitas,

sem madrugadas.


se tudo for nada, quando o nada pode ser

a manhã no beijo de uma esperança, se eu me erguer, se eu despertar

se tudo for nada, quando tudo pode ser apenas o sonhar,

ou um livro para ler,

ou uma flor para cheirar,

que tudo, que tudo o pode ser,

mesmo ser o dia antes de nascer… 


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