27 fevereiro 2025

se as palavras descem o teu corpo

se as palavras descem o teu corpo, se as palavras

as palavras semeadas, são tantas as palavras, quando as palavras são também as madrugadas, são também palavras, são também

o rio que se esconde na alvorada, o livro na mão da piquena, a pedra lançada, ou a pedra al quimera, são sempre as palavras, são a charrua da espada, depois do sono, depois da água

caída sobre o frio, em forma de delírio.


e basta uma palavra, para morrer,

e uma flor vestida de palavra,

e não só a lua tem palavras, outros também as têm

outros,

vinte e um pedaços de silêncio, se as palavras descem o teu corpo, e se o teu corpo for apenas uma palavra,

a palavra, corpo.

se deus é também uma palavra, e só, e mais 

nada, a palavra;

a palavra, deus.


e se o elefante é uma palavra, outra a selva o é, outra palavra,

outra fé, da palavra, no café,

do café palavra, ao café bebido… se a palavra o desmente, na palavra, no luar palavra, na palavra, luar.


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