Depois da chuva o meu corpo é esponja
é espuma que divaga e arde na fogueira de um desejo
desejar nada desejar, apenas que a noite seja sempre uma criança
com o sorriso nos lábios
Sou capaz de ter medo de viver, de ser
talvez não sendo, talvez também
não entender que o musseque da minha infância, nunca será mais o musseque da minha infância
E depois da chuva, o que restará de mim?
Talvez um pedaço de capim, um machimbombo em ruinas, algumas fotografias, poucas estrelas daquele tempo, talvez
uma lágrima de alegria,
um poema, uma linda flor em poesia
Talvez um dia
o tempo
seja o meu tempo, aquele relógio que eu trazia
e me disfarçava de vento, e de sono, e de nada;
apenas para que um dia, depois da chuva…
O meu corpo seja esponja,
espuma!
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