04 janeiro 2025

Talvez um dia o tempo seja o meu tempo

Depois da chuva o meu corpo é esponja

é espuma que divaga e arde na fogueira de um desejo

desejar nada desejar, apenas que a noite seja sempre uma criança

com o sorriso nos lábios


Sou capaz de ter medo de viver, de ser

talvez não sendo, talvez também

não entender que o musseque da minha infância, nunca será mais o musseque da minha infância


E depois da chuva, o que restará de mim?


Talvez um pedaço de capim, um machimbombo em ruinas, algumas fotografias, poucas estrelas daquele tempo, talvez

uma lágrima de alegria,

um poema, uma linda flor em poesia


Talvez um dia

o tempo

seja o meu tempo, aquele relógio que eu trazia

e me disfarçava de vento, e de sono, e de nada;

apenas para que um dia, depois da chuva…

O meu corpo seja esponja,

espuma!


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