18 dezembro 2024

Ujo

É o ujo que desce o Tua na calcinada tarde quase noite 

quase noite de insónia na cama acreditando que o rio está a correr para o dia anterior 

outra janela outro menino que eu era 

lápis de cor nas mãos de uma criança 


O ujo é um pedaço de vidro na boca do sol 

que aquece a floresta e talvez também seja um desenho desejar-te dentro deste rio 

nos lábios deste rio silêncio 


Ujo e Tua quando vagueiam na saliva do soldado que desertou da palavra escrita no húmus pedaço de sémen da chuva... 

Na chuva palavra.


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