Se a minha sombra vestida me incendiar com o olhar se das nuvens uma vida quase noite
ou quase mar,
se das minhas mãos acordassem os pássaros do douro que desenham no silêncio da chuva o arco-íris mais envenenado e secreto dos teus olhos.
Se da casa depois do abismo o rio recusando beijar a lua, o rio recusando a lua, se uma noite não sombra também for o teu seio for o teu corpo nu sentado numa pedra cinzenta,
se a água que brota da terra estiver apaixonada pelo sorriso do sol, e
talvez houvesse um livro nos teus lábios...
Se as árvores estivessem perto da sombra do último adeus e na despedida se suicidassem na mão do poeta,
se o musseque não dormisse só um dia outra janela para o sótão,
se eu tivesse a certeza que era às vezes quase nada, ou
apenas ouvir o ranger do corpo e a voz da tristeza,
Se...
Eu.
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