20 dezembro 2024

Se... Eu.

Se a minha sombra vestida me incendiar com o olhar se das nuvens uma vida quase noite 

ou quase mar, 

se das minhas mãos acordassem os pássaros do douro que desenham no silêncio da chuva o arco-íris mais envenenado e secreto dos teus olhos. 


Se da casa depois do abismo o rio recusando beijar a lua, o rio recusando a lua, se uma noite não sombra também for o teu seio for o teu corpo nu sentado numa pedra cinzenta, 

se a água que brota da terra estiver apaixonada pelo sorriso do sol, e 

talvez houvesse um livro nos teus lábios... 


Se as árvores estivessem perto da sombra do último adeus e na despedida se suicidassem na mão do poeta, 

se o musseque não dormisse só um dia outra janela para o sótão, 

se eu tivesse a certeza que era às vezes quase nada, ou 

apenas ouvir o ranger do corpo e a voz da tristeza, 


Se... 

Eu.


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