Foi este o meu corpo quase palavra
se a água vida quase noite
quase também uma fotografia das nuvens na saliva do desconhecido vento.
Foi este o meu olhar quase a desaparecer no sofá
foi este pequeno barco que a sonolência deixou sobre a mesa junto aos talheres
e foi este mar que pariu o rio no dilúvio da solidão.
Foi este cachimbo que espetou a lua no meu peito
quando o livro ainda uma criança
que brinca no escorrega da tarde
foi este o dia da chuva que estava no inferno...
Foi este rio que escreve no silêncio
o triângulo rectângulo na mão do cateto
e nos lábios da hipotenusa
dentro de um caderno quadriculado.
Foi este o meu corpo quase palavra
às vezes quase nada
foi esta a madrugada quase bala
na sombra de uma árvore.
Foi esta a bandeira hasteada no sorriso do sol
depois de uma pedra sendo degolada na espuma da cama
foi esta a tua mão quase toda uma lareira...
no objecto quase sábado.
Foi este pequeno carguinho descalço que eu desenhei na ardósia estrela do meu coração.
foi neste pedaço de vidro
onde escrevi o teu nome: Cristina.
Foi neste labirinto papel
onde o teu corpo nu uma cidade portuária rompendo o meu destino...
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