12 dezembro 2024

Dois corpos no silêncio da chuva

Dois corpos no silêncio da chuva 

o fogo está quase pronto para o sótão 

da tela escrevem-me as nuvens lágrimas do vento 

as flores cores que estão no chão 

dançam simplesmente ao verde som fatiado da casa... 

Dois corpos misturados com a língua do luar 

fui ver o meu pai fecundar-me na algibeira da escola 

e escrevi nas palavras as minhas palavras 

dois corpos ensanguentados no esperma quase noite quase vida 

dois destinos corpos no silêncio da chuva 

uma cama sob ti 

dos plátanos oiço o último adeus da casa 

a rua nua pela escuridão do sol 

vai ser um relógio que está quase pronto para o meu nome 

dois corpos nome 

idade diferenciada o gatafunho da gaivota 

da boca água quente que não tinha paciência 

o beijo 

hoje navegador distribuído uniformemente como uma força invisível 

é uma pedra sendo degolada na espuma que está quase cheia de sono 

que desce a montanha até ao céu 

que sobrou da minha mãe 

foi este pequeno barco que não tinha paciência para o meu corpo 

foi este o meu olhar para o dia... 


Dois corpos no silêncio da chuva! 


O meu. 

O teu.


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