06 dezembro 2024

É quase qualquer coisa no meu peito

É quase qualquer coisa no meu peito. Sinto uma nuvem negra, estranhamente pincelada de ausência melancolia, transforma-se em vidro, veste-se de musgo, planta-se na terra sinónimo de infância,

E acorda ao outro dia do outro lado do rio. 

Sorri, ela.

E eu podia ser Janeiro ou Março ou Dezembro, mas quiseram que eu fosse,

Poeta. Homem desajeitado com jeito para quase tudo, quando o pouco de tudo, é o muito,

De muitos.

Eu desenho-te hoje na tela cinzenta pela obscura luz da ingrime escada que me levará

Ao céu. 

Estou feliz!

Porque estará ela feliz?

(a única verdade deste poema é o céu estar estrelado)

Que é quase lua e que eu ainda não pedi nada ao luar. Também o que posso eu pedir ao luar?

Se o meu luar já morreu,

Livros.

É quase lua, quase

E depois das muitas estrelas amachucadas na miséria noite, o destino é um complemento solidário para idosos, qualquer coisa como

Duzentos euros para gastar em uísque, mulheres e talvez ainda sobrem algumas migalhas para,

Para livros…

Ela, sorri.

Ele olha a fogueira e vê a fotografia de uma coruja nos braços da mãe. É quase lua e é quase sábado.

Há uma luz que conversa comigo, há uma luz capaz de erguer-me desta lareira e 

Amanhã acordar no calor da madrugada, 

É quase lua, a mesa vazia, sobro apenas eu, e mesmo assim, já começo a perder peças, pequenos parafusos, algumas porcas e

E umas quantas rodas dentadas.

(estarão vocês a pensar, olha lá está o gabarolas quase engenheiro mecânico, a poetizar a sua arte)

Não percebo porque me escrevem e não percebo,

Porque deixei de responder ao que me escrevem.

Não percebo porque ando com o telefone no bolso quando ninguém me telefona nem eu telefono a ninguém,

E concluo poeticamente

Que o meu telefone apenas serve para eu ver as horas.

Um dia deixarei de ter horas e de ver,

As horas.


Um dia serei uma pedra com sabor a vento!


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