É quase qualquer coisa no meu peito. Sinto uma nuvem negra, estranhamente pincelada de ausência melancolia, transforma-se em vidro, veste-se de musgo, planta-se na terra sinónimo de infância,
E acorda ao outro dia do outro lado do rio.
Sorri, ela.
E eu podia ser Janeiro ou Março ou Dezembro, mas quiseram que eu fosse,
Poeta. Homem desajeitado com jeito para quase tudo, quando o pouco de tudo, é o muito,
De muitos.
Eu desenho-te hoje na tela cinzenta pela obscura luz da ingrime escada que me levará
Ao céu.
Estou feliz!
Porque estará ela feliz?
(a única verdade deste poema é o céu estar estrelado)
Que é quase lua e que eu ainda não pedi nada ao luar. Também o que posso eu pedir ao luar?
Se o meu luar já morreu,
Livros.
É quase lua, quase
E depois das muitas estrelas amachucadas na miséria noite, o destino é um complemento solidário para idosos, qualquer coisa como
Duzentos euros para gastar em uísque, mulheres e talvez ainda sobrem algumas migalhas para,
Para livros…
Ela, sorri.
Ele olha a fogueira e vê a fotografia de uma coruja nos braços da mãe. É quase lua e é quase sábado.
Há uma luz que conversa comigo, há uma luz capaz de erguer-me desta lareira e
Amanhã acordar no calor da madrugada,
É quase lua, a mesa vazia, sobro apenas eu, e mesmo assim, já começo a perder peças, pequenos parafusos, algumas porcas e
E umas quantas rodas dentadas.
(estarão vocês a pensar, olha lá está o gabarolas quase engenheiro mecânico, a poetizar a sua arte)
Não percebo porque me escrevem e não percebo,
Porque deixei de responder ao que me escrevem.
Não percebo porque ando com o telefone no bolso quando ninguém me telefona nem eu telefono a ninguém,
E concluo poeticamente
Que o meu telefone apenas serve para eu ver as horas.
Um dia deixarei de ter horas e de ver,
As horas.
Um dia serei uma pedra com sabor a vento!
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