05 dezembro 2024

E enquanto lês o poema, eu beijo-te!

Da terra a luz semeada no chão, deitar-me quase mar que não é bem o mar, que é uma espécie de mentira vestida de mar e que tem medo, 

medo amar. 


A casa vazia, que dorme na mão do comboio na procura de uma lágrima, e da espuma janela uma pedra de néon cansada de esperar pelo teu cabelo, que traz o mar e que levará o meu poema. 


As águas e os animais semeados na plenitude deste papel, as árvores são os teus olhos que a manhã quase abraça, e da terra a luz do desconhecido vento que dorme no chão, 

ouvem-se os muros da chuva, se das nuvens uma pedra, é porque o teu corpo me espera sob os plátanos e enquanto lês o poema, 


eu beijo-te!


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