13 dezembro 2024

Deus

Deus, entidade singular sem número de identificação fiscal, e o meu corpo quase palavra quase também uma fotografia no espelho da chuva. 

Deus, um silêncio no coração da gaivota que o mundo vai ser um relógio, 

Esperança tive-a por duas horas, nos nocturnos minutos depois da solidão mergulhada em deus, 

E se a água estiver a mentir? 

E se o capim também ausente estiver a mentir, se deus quiser ir ao portão ele vai, quase noite quase vida... 


Deus, entidade pai fecundar-me na algibeira da minha sombra, vestida, incendiar-me com olhos azuis na cabeça do sol poema que seduz o sombreado silêncio. 

Deus, a lareira encarregar-se-á do restante quase noite que eu tenho na mão, 

Um livro um poema absorvido por mim e de pedra e estrelas na tua voz. 

Deus, o dia filho que não tem descanso para o meu corpo, a árvore da chuva se das nuvens uma coisa disfarçada de pássaro quase desejo, desce a calçada. 


A palavra que escrevo no planalto sorriso do meu cigarro, depois o meu olhar a tocar a lua não luz não luar, 

Não migalhas uma janela amada para ti também para mim um 

Astro que não é sinónimo de poesia e que morrerá dentro do cubo de vidro. 

Então deus submete-se ao rigor polígrafo da nação hostil que não tem paciência para fazer versos, 

E a charrete transpira pequenas gotinhas de sémen, centeio no feliz pinhal de luz, 

Que quase bruma acontece no primeiro instante de insónia... 


Deus!


Sem comentários:

Enviar um comentário