Sexta-feira, visita aos nossos familiares e amigos defuntos. A cada passo que dou percebo que
Que já somos muito poucos. Somos tão poucos que quase tenho medo de que o vento me leve,
Para outro lugar. Depois de lavar o jazigo dos meus pais,
Sentei-me no muro, fumei alguns cigarros e conversei com a minha mãe,
Com o meu pai,
Quase não falamos; não sei porquê.
Fui embrulhado numa ténue nuvem de fogo e quase chorei,
Não sei, mãe. Não sei.
Mas sei que me andas a pregar partidas, eu sei, mãe. Eu sei…
Como a de hoje; como a de hoje.
Que o sol começou a ficar frio, escuro,
Que a primeira lágrima da manhã não sorriu. Eu sei, mãe
Eu sei que só podes ser tu,
Mas porquê, mãe?
Agora percebo tudo aquilo que me dizias, enquanto eu sentia a tua voz de encontro
Ao outro lado da rua. Agora percebo porque me olhavas,
Horas antes,
De levitares até ao silêncio.
Agora percebo tudo, mãe.
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