01 novembro 2024

Sexta-feira, visita aos nossos familiares e amigos defuntos. A cada passo que dou percebo que

Que já somos muito poucos. Somos tão poucos que quase tenho medo de que o vento me leve,

Para outro lugar. Depois de lavar o jazigo dos meus pais,

Sentei-me no muro, fumei alguns cigarros e conversei com a minha mãe,

Com o meu pai,

Quase não falamos; não sei porquê.

Fui embrulhado numa ténue nuvem de fogo e quase chorei,

Não sei, mãe. Não sei.

Mas sei que me andas a pregar partidas, eu sei, mãe. Eu sei…

Como a de hoje; como a de hoje.

Que o sol começou a ficar frio, escuro,

Que a primeira lágrima da manhã não sorriu. Eu sei, mãe

Eu sei que só podes ser tu,

Mas porquê, mãe?

Agora percebo tudo aquilo que me dizias, enquanto eu sentia a tua voz de encontro

Ao outro lado da rua. Agora percebo porque me olhavas,

Horas antes,

De levitares até ao silêncio.

Agora percebo tudo, mãe.


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