14 novembro 2024

Quase sempre uma palavra

Poisava a cabeça no teu peito lavrado, e esquecia-me dos ponteiros do relógio

Sobre a mesa-de-cabeceira, fechava os olhos

Quase que nunca dormia, apenas inventava sonos

Para me esquecer,

E para esquecer,

Que dormia

Que fingia,

Sem me preocupar com os teus dedos procurando não sei o quê,

No meu sexo,

Ouvíamos música clássica, e quem gosta de estar ausente,

Ouvindo

Música clássica,

A tua mão puxava-o como se ele fosse sei lá eu o quê…

Mas também sabíamos que a cada madrugada,

Havia sempre, sempre uma pequena sílaba,

Que nos atormentava.

Uma espingarda, disparava bolinhas de sémen contra o espelho,

E sabias que do outro lado da rua,

Um apeadeiro sem saber o que fazer, depois do último passageiro da noite,

Quando o primeiro barco ainda ressonava junto ao Tejo.

Eu acordava de fingir que dormia, percorria cada pedacinho do teu corpo, como se ele fosse o mar,

E eu,

Um menino que procurava o mar.

Um menino que tinha um barco, e com a outra mão brincava com a tua vagina,

Acreditando,

Que o mar que procurava,

Estava lá dentro escondido. Chamava-o…

Mar!

Mar!

Mas apenas um líquido pegajoso junto aos rochedos, do outro lado do farol,


E quase sempre uma palavra ficava esquecida sobre o lençol,

Quase sempre,

Uma palavra,

Esquecida sobre o mar!


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