Poisava a cabeça no teu peito lavrado, e esquecia-me dos ponteiros do relógio
Sobre a mesa-de-cabeceira, fechava os olhos
Quase que nunca dormia, apenas inventava sonos
Para me esquecer,
E para esquecer,
Que dormia
Que fingia,
Sem me preocupar com os teus dedos procurando não sei o quê,
No meu sexo,
Ouvíamos música clássica, e quem gosta de estar ausente,
Ouvindo
Música clássica,
A tua mão puxava-o como se ele fosse sei lá eu o quê…
Mas também sabíamos que a cada madrugada,
Havia sempre, sempre uma pequena sílaba,
Que nos atormentava.
Uma espingarda, disparava bolinhas de sémen contra o espelho,
E sabias que do outro lado da rua,
Um apeadeiro sem saber o que fazer, depois do último passageiro da noite,
Quando o primeiro barco ainda ressonava junto ao Tejo.
Eu acordava de fingir que dormia, percorria cada pedacinho do teu corpo, como se ele fosse o mar,
E eu,
Um menino que procurava o mar.
Um menino que tinha um barco, e com a outra mão brincava com a tua vagina,
Acreditando,
Que o mar que procurava,
Estava lá dentro escondido. Chamava-o…
Mar!
Mar!
Mas apenas um líquido pegajoso junto aos rochedos, do outro lado do farol,
E quase sempre uma palavra ficava esquecida sobre o lençol,
Quase sempre,
Uma palavra,
Esquecida sobre o mar!
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