O que pensarás tu de mim, que sou um louco, talvez que seja um pouco,
Tolo
Que sou desajeitado, que prefiro os livros
Do que uma ida ao ginásio,
Que sou um quase sem-abrigo,
Um quase mendigo,
O que pensarás tu de mim?
Que fui um drogado, que não sei dizer coisas bonitas às mulheres,
Como do género,
“os teus lábios são mais belos
Do que os belos amanheceres do meu silêncio,
Que os teus lábios são a madrugada sentido o destino
Na pontinha da mão,
Que os teus lábios, são
São os mais belos amanheceres do meu silêncio!”
Como vês, nunca eu seria capaz de escrever isto, não tenho jeito, sou bruto, como vês, que nada vês
E às vezes pareço uma lareira, um pedacinho de solidão mergulhado na escuridão
Noite do meu viver.
Que às vezes,
Que às vezes não sou comparado com aquilo que fui,
Que concluindo,
Nada.
O que pensarás tu de mim?
Que nunca realizei um sonho, que nunca vou realizar sonho algum, que os sonhos são uma treta,
Tal como são uma merda,
Alguns gajos que escrevem poesia; eu.
O que pensarás tu de mim?
Coitado dele, coitado
É apenas um coitado, um vidente diplomado,
Uma estrela cadente é o que ele é
Em lágrimas,
Oiço do outro lado da rua.
O que pensarás tu de mim?
Que nunca fui à lua
E que tantas vezes eu estou na lua.
E, no entanto, sendo eu tudo aquilo que escrevi anteriormente
Escrevo para ti;
Os teus lábios são mais belos
Do que os belos amanheceres do meu silêncio,
Que os teus lábios são a madrugada sentindo o destino
Na pontinha da mão,
Que os teus lábios, são
São os mais belos amanheceres do meu silêncio!
Os teus lábios são
São mais belos do que o mar nas mãos de uma criança (e acredita que o mar e as crianças são as coisas mais belas do Universo)
Que os teus lábios são, são
Raízes caminhando no meu peito, erguendo a cada amanhecer
Uma nova angustia, um novo desejo.
Que os teus lábios são o beijo,
Que os teus lábios são, são
O meu desejo.
O que pensarás tu de mim!
Sem comentários:
Enviar um comentário