23 novembro 2024

O dia encosta a noite ao arame farpado que separa a luz da pedra incendiada

O dia encosta a noite ao arame farpado que separa a luz

da pedra incendiada

o dia começa a recordar-se dos últimos minutos de ontem,

e o que há para recordar?


Que ontem foi sexta-feira, vinte e dois de Novembro do ano da graça de deus de dois mil e vinte e quatro,

e perante mim poeta foi dito e foi escrito,

que o dia, afinal, o dia de ontem não existiu,


E tenho duas testemunhas que depois de lido em voz alta este poema,

Irão assinar e colocar a respectiva impressão digital.


O dia encosta a noite ao arame farpado que separa a luz

da pedra incendiada, e sempre que chove lembro-me de Belém e do Tejo e de uma espingarda.


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