(retracto de um abraço)
Contra o muro do sol, poema que seduz o sombreado mar,
A paixão já está quase, quase cheia de sono, mas depois
Meia-noite nesta noite, alguém sabe que o teu cabelo está no sorriso de uma pedra,
E talvez seja preciso um abraço apertado
Na floresta, e talvez
Do rio maior do que a mão, o abraço apertado
Dissipa-se e dorme com os teus olhos,
Amores floridos, porque se escondem no arvoredo?
Quando nas árvores
Os pássaros estão a brincar com a minha mãe!
As nuvens são muito bonitas para a tua mão, lamenta
O engano da floresta
Grande o abraço, apertado
Sobremesa em nós, a laranja está pronta para o jantar,
Sobre a pedra e sobre a paixão do abraço
Sobre o rio
Um barco de sono e de espuma para o meu destino,
Uma ponte sobre o rio,
Uma lâmpada destinada a desmaiar na noite
Das flores uma margarida, um fotão de luz para o teu cabelo, deixar arder na lareira
Os livros que escrevi, nas palavras que rasguei
Até a noite não me pertencer
Rua nua lição de sémen, centeio que se apaga no silêncio do poema,
E a charrete transpira junto ao portão de entrada, uma gota de água
Na saliva de uma sílaba
Uma lâmpada destinada a voar
E a tua mão de luz nua na noite de um abraço,
E quase que desmaia na noite.
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