23 novembro 2024

Noite

(retracto de um abraço)



Contra o muro do sol, poema que seduz o sombreado mar,

A paixão já está quase, quase cheia de sono, mas depois

Meia-noite nesta noite, alguém sabe que o teu cabelo está no sorriso de uma pedra,


E talvez seja preciso um abraço apertado

Na floresta, e talvez

Do rio maior do que a mão, o abraço apertado

Dissipa-se e dorme com os teus olhos,


Amores floridos, porque se escondem no arvoredo?

Quando nas árvores

Os pássaros estão a brincar com a minha mãe!

As nuvens são muito bonitas para a tua mão, lamenta


O engano da floresta

Grande o abraço, apertado

Sobremesa em nós, a laranja está pronta para o jantar,

Sobre a pedra e sobre a paixão do abraço


Sobre o rio

Um barco de sono e de espuma para o meu destino,

Uma ponte sobre o rio,

Uma lâmpada destinada a desmaiar na noite


Das flores uma margarida, um fotão de luz para o teu cabelo, deixar arder na lareira

Os livros que escrevi, nas palavras que rasguei

Até a noite não me pertencer


Rua nua lição de sémen, centeio que se apaga no silêncio do poema,

E a charrete transpira junto ao portão de entrada, uma gota de água


Na saliva de uma sílaba

Uma lâmpada destinada a voar 

E a tua mão de luz nua na noite de um abraço,

E quase que desmaia na noite.



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