30 novembro 2024

Éramos a noite passada, mas o fogo não pertence ao portão da tua mão

Éramos a noite passada, mas o fogo não pertence ao portão da tua mão.

Se uma nuvem hoje navegador das infringentes escadas, para que servirá o açúcar? Morde a morte do desconhecido a ausência do comboio, do vento

a água fresca na saliva do meu cigarro.


Éramos de luz, nua pela escuridão do sol, poema que não tinha paciência para fazer da manhã uma pedra de chuva.

A estrada sem sentido, sentindo o curvilíneo desenho que só a ausência é uma mentira também,

o corpo a despedir-se e a clamar inocência prometida, do corpo as náuseas palavras todas menos as minhas,

também palavras, também


Mágoas pontos de luz. Éramos a noite passada,

que passeia sob o disfarce de um aceno na clareza de uma pequena pétala e vírgula madrugada.

Éramos a luz e éramos de luz.


O azulejo quase água um relógio que está no inferno de uma flor, o beijo quase barco

quase também uma fotografia do silêncio. E éramos de manhã quase o vermelho da terra quando quase arde o teu corpo.

Éramos a noite, passada

hoje cansada de tanta tosse que não dorme, não…

Como pode ser lua se uma nuvem hoje não é uma nuvem,

se hoje uma nuvem ser apenas a sombra do último adeus?


Éramos a noite passada, esperança tive-a por duas vezes na matemática do merceeiro, mas terei lucidez para ter esperança pela terceira vez?

Não creio. éramos um livro, hoje

somos dois corpos no silêncio de uma cama, acreditando


que apenas a esperança nos poderá salvar das garras do desconhecido,


éramos a noite passada, éramos um rio de estrelas escondidas no sorriso de uma pedra, sendo o sombreado mar,


uma outra pedra sem esperança...


Na tua ausência!


Sem comentários:

Enviar um comentário