29 novembro 2024

A viagem, é uma troca de corpos e de cores

A viagem, é uma troca de corpos e de cores,

é uma pedra de luz migalhas numa janela também não pertencer ao verde dos viajantes...

Vestida de gaivota vende-se o livro à porta da igreja.

Masturba-se o sentido abade sob o triciclo universal destino, finge não sentir nada

quando o livro é pegado e acariciado pela lágrima, e nem todas as mulheres são mães, mas todas as mães são mulher,

paciência, peço perdão desculpa sentidos pêsames.


Gostava tanto desta nuvem. Hoje apenas a relembrar os ciúmes dos plátanos e dos estorninhos, tão porcos feios barulhentos e negros. Diatonicamente escrevendo, são negros como verde são os teus olhos.


Como amarelo eram os muros. Oiço o último apito antes de descolarmos subindo as escadas até ao céu, o final apeadeiro, tudo como dantes e amanhã,

- O senhor sim o senhor o seu bilhete?

Folheio-a e mesmo assim não contentes não sombra levam os muros para o sótão, que comédia, que terror não o sono não a sombra não o dia.


A viagem. A criança recusa terminantemente despedir-se do avô, e o avô coitado em lágrimas, o apito em pequenas dimensões para o que eu tinha visto antes de adormecer.

O livro ainda junto à igreja, o sémen em cada silêncio página, horrível

O desencontro está quase pronto para que horas tais, o apito

cambalhota sobre o mar. A cor. Que dói quando o livro é sinónimo de rua, de prazer em ter inventado o poema.

Que quer dizer que o mundo é uma lâmpada...


Que bom o aspecto deste passeio, não sombra de dúvida constante, não ter apenas migalhas para fazer o teu seio.

Que horas sais daí não têm corpo nem

Maré. O barco é.


Quase também ausente destes dias que não tinha paciência para fazer hoje, ler e no ensaio

leio poesia,

penso no Álvaro de Campos.

Penso no Mário de Sá-Carneiro.

Penso no revólver dos teus olhos, começa

o poema caminhada tua mão na voz quase tão cristalina como

o luar.


Senta aqui. Outro menino que não tinha paciência também

para o sono. Quase não comia pétalas de rosa, quase que morria de não comer,

pétalas de rosa,

quase que a vida um relógio e um sopro perto do mar.

Quase,

depois da solidão mergulhada em quê, se nem um pedaço de ti, sobrou.

Outro menino, não

estamos quase a desaparecer no capim, e sei

quando uma espingarda dispara um beijo.


Adeus. Sobremesa o mar sabendo que o rio está quase quase pronto,

para ser embalado e enviado para a tua mão.

A viagem, descida do soldado que está quase para o teu cabelo,

Adeus.

Rua da chuva. O machimbombo.


Só.


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