Comíamos as tristes
noites de insónia
e acompanhávamo-nos como
serpentes de dor
enroladas em nuvens de
cor
e papel celofane suspenso
dos lábios moliceiros em desejados sonos nocturnos
que a mão teu corpo
envergonhado deixava cair sobre os geométricos alicerces clandestinos da luz,
Traços uniformes
seixos de mágoa que
transparentes imagens de sons desconformes
voavam entre a madrugada
e a pele simétrica que
cobre o sufoco jardim das clarabóias de cetim
às primeiras horas dos
minguados sopros beijos,
Tínhamos na fome
o prazer de olharmos as
árvores em descansos imaginários
como marés invisíveis
quando o vento as
levava...
e a faca penumbra
circunferência dos teus seios poéticos e melódicos ficavam esquecidos no
interior de um livro de poemas,
(sinto-os endoidecer nas
minhas mãos)
como a saliva e o folhear
de páginas sem palavras
folhas tristes e brancas
como as janelas sem
cortinados
como os olhos sem
pálpebras,
Com o céu despido nu nas
estrelas tuas mãos
fictícias manhãs
desenhadas numa ardósia que um recreio escondeu
como as flácidas enguias
que o prazer transformava em delírios moribundos
e de um pinheiro
envelhecido
desciam margaridas flores
com pétalas de pergaminho púbis...
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