21 outubro 2024

Pétalas de pergaminho púbis

 

Comíamos as tristes noites de insónia

e acompanhávamo-nos como serpentes de dor

enroladas em nuvens de cor

e papel celofane suspenso dos lábios moliceiros em desejados sonos nocturnos

que a mão teu corpo envergonhado deixava cair sobre os geométricos alicerces clandestinos da luz,

 

Traços uniformes

seixos de mágoa que transparentes imagens de sons desconformes

voavam entre a madrugada

e a pele simétrica que cobre o sufoco jardim das clarabóias de cetim

às primeiras horas dos minguados sopros beijos,

 

Tínhamos na fome

o prazer de olharmos as árvores em descansos imaginários

como marés invisíveis

quando o vento as levava...

e a faca penumbra circunferência dos teus seios poéticos e melódicos ficavam esquecidos no interior de um livro de poemas,

 

(sinto-os endoidecer nas minhas mãos)

como a saliva e o folhear de páginas sem palavras

folhas tristes e brancas

como as janelas sem cortinados

como os olhos sem pálpebras,

 

Com o céu despido nu nas estrelas tuas mãos

fictícias manhãs desenhadas numa ardósia que um recreio escondeu

como as flácidas enguias que o prazer transformava em delírios moribundos

e de um pinheiro envelhecido

desciam margaridas flores com pétalas de pergaminho púbis...

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