21 outubro 2024

Pedras rasuradas

 

As pedras rasuradas que alimentam os teus olhos

às lágrimas choradas

como ribeiras em declínio tombando sobre a calçada

vêm as árvores à tua dócil mão de chocolate adormecido

vens tu procurar-me no interior da fértil maré que a solidão semeia nos teus seios...

sou filho pródigo do teu ventre

sou as palavras que escreves nas pálpebras da inocência

as pedras

rasuradas...

onde deitas o teu cabelo em pedacinhos amanhecer

sombras e telhados olham um líquido escorrer...

das folhas enlameadas dos velhos saberes,

 

Choram as tuas pedras rasuradas

um livro recusado à mão escrever

escorrem de ti as uvas embriagadas...

em videiras tuas lágrimas choradas

as pedras

e o feitiço dos lábios suspensos na tua boca

as pedras

loucas quando adormeces sobre mim antes de nascer o sol,

 

Loucas quando... nascer o sol

as tuas pedras amarguradas

as tuas doces pedras rasuradas

que a chuva engole nas tardes de neblina...

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