20 outubro 2024

Pedes-me “silêncio” e eu escrevo “silêncio” nos teus lábios de noite

 

Sombras de ti dentro do espelho cansado em mim

saboreando livros invisíveis com odor a melancolia

um espaço vazio sombrio e escuro

entranha-se-te fazendo em ti a escultura linear da insónia

pedes-me “silêncio” e eu escrevo “silêncio” nos teus lábios de noite vaiada pela lua imaginária,

 

Pedes-me “amor”

e eu não sei escrever “amor” no teu corpo tridimensional vagueando pelo espaço-tempo

e buracos de minhoca

invento-te nas paredes do fazedor de versos

um transeunte doente com palavras apodrecidas,

 

Malcriado inocente nas bocas verticais de um triângulo rectângulo

pedes-me para escrever “hipotenusa” nos olhos da tua tangente

perco-me de ti

e não escrevo “hipotenusa” junto ao cateto das tuas coxas de cristal

escrevo-a no seno da tua saudade...

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