Sombras de ti dentro do
espelho cansado em mim
saboreando livros
invisíveis com odor a melancolia
um espaço vazio sombrio e
escuro
entranha-se-te fazendo em
ti a escultura linear da insónia
pedes-me “silêncio” e eu
escrevo “silêncio” nos teus lábios de noite vaiada pela lua imaginária,
Pedes-me “amor”
e eu não sei escrever
“amor” no teu corpo tridimensional vagueando pelo espaço-tempo
e buracos de minhoca
invento-te nas paredes do
fazedor de versos
um transeunte doente com
palavras apodrecidas,
Malcriado inocente nas
bocas verticais de um triângulo rectângulo
pedes-me para escrever
“hipotenusa” nos olhos da tua tangente
perco-me de ti
e não escrevo
“hipotenusa” junto ao cateto das tuas coxas de cristal
escrevo-a no seno da tua
saudade...
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