20 outubro 2024

Palavras Mortas

 

Há na tua pele o desejo da chuva

até às ondas que o vento chora

há em ti um coração em sofrimento

porque no mar vive a madrugada molhada

há na tua pele o silêncio

e a plenitude corpuscular que o amor semeia nas ardósias em migalhas,

 

Há nos livros do prazer

palavras mortas

cansadas

obviamente destinadas a envelhecerem

nas tuas mãos acorrentadas ao destino cansaço

e há sem o saberes as flores em esqueletos putrificados,

 

Há momentos de tristeza

suspensos em cortinados que a manhã abandonou nos caminhos de ninguém

há coisas que parecem belas

e não o são

porque elas

essas mesmas coisas não são mais do que as sombras empoleiradas nas árvores de ontem...

 

Impavidamente sinto-os e sei que dormem dentro do teu corpo

nu e deitado no cadeirão de milho

com barbatanas de chocolate

há na tua pele o esplendor do abraço

sabendo eu que amanhã nascerá um novo amor

sobre os teus ombros amordaçados.

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