É da tua voz difusa que
os traços de suor
acordam nas pétalas
loucas que os poetas inventam
misturam-se nos teus
lábios (sem que eu saiba se são doces ou amargos) sílabas
de água perdida entre
rochas e árvores de candeias
à luz semeada pelo
diáfano silêncio dos desertos cansados da tua boca,
Há dias que não percebo
esta solidão de areia
que o vento levita das
pequenas junções das lajes de granito da eira de Carvalhais
e no entanto
acompanha-me o melódico
sorriso do melro alegremente
penso eu (apaixonado)
porque faz balançar os pinheiros dos sonhos,
Atravessas a cidade sobre
o arame da saudade
e deixas cair sobre mim
as madeixas de papel que
se desprendem do teu cabelo revoltado
com palavras misturas-lhe
palavras em constante equilíbrio
e sofrimento de dor,
Inventas o rio para me
alegrares
mas até isso me
entristece como me entristecem as amarra de aço
que prendem os barcos
apodrecidos
(também eles de aço)
a um cais de desassossego
que tu dizes ser meu quando nasci das finas cordas que as gaivotas engolem,
Apetece-me subir ao andar
superior onde habitam os gemidos da tua voz
que definem os traços de
suor
que a pobre ardósia
escreve construindo a geometria do amor
Dois quadrados podem ou
não podem apaixonarem-se um pelo outro?
E dois triângulos de Luz?
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