21 outubro 2024

Penumbra

 

Penumbra refugiando-se em corpos de luz

que caminham e sonham nas andorinhas com lâmpadas de néon

debaixo de nuvens transparentes

como o sal que a água dissolve

e vomita nas palavras escritas por um louco,

 

Há quem desenhe nas oliveiras descarnadas do eixo da eira

os guindastes de ferro enferrujado

límpido

que engolem barcos de madeira e espigueiros empanturrados de milho

e sonhos,

 

E sonhos vestidos de penumbra

refugiando-se nas mãos incógnitas do perfume de cereja

há quem escreva nos sonhos sem o saber

nem o adivinhar

quando terminará o dia e recomeçará a nocturna paixão das almas,

 

E haverá um dia pêndulos de desejo

nas janelas do ciúme

a continuidade de mim

sobre a calçada longínqua junto ao rio

e de lá observo o mar,

 

E de lá... caminho e choro e sonho sonhando com a penumbra

eira com o espigueiro recheado de milho

e ao longe

os sinos da Igreja

cantando horas infindáveis horas eternamente horas...

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