terça-feira, outubro 08, 2024

Os sonhos invisíveis das praias do abismo

 

Acreditava que eras uma pedra polida vagueando entre silêncios e montanhas de desejo

descias as escadas em caracol até adormeceres sobre os lençóis de mar

onde se escondiam braços de amor e beijos desalojados

começavam as chuvas frias que encobriam a tua pele castanha

como cerejas dentro de um boião perdido no centro de uma cidade,

 

Amavas-me loucamente como se amam as gaivotas e os ventos de Nortada

ouvíamos as luzes dos guindastes de aço a romperem os verdejantes jardins da Ajuda

e dormíamos enrolados na neblina do amanhecer

e ninguém nos Ajudava...

havíamos descoberto as pedras da calçada como se fossem cobertores cinzentos...

 

Havíamos descoberto os sonhos invisíveis das praias do abismo

como se fossem cigarros de brincar

em dedos fictícios alimentados por laços de papel...

havíamos... acreditava que eras a noite quando voavas sobre as velas de linho

dos veleiros em madeira e cansados sobre a mesa da sala...

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