Dei-me conta que ontem,
Hoje,
O poeta que vive dentro
do meu corpo está triste,
Muito triste.
Tenho pena dele, juro. Coitado
dele, que sofre tanto…
Mas ele é teimoso, quase
não fala comigo, quase que não vive,
Quase que está morto.
E vou ter de me habituar
à ideia que ele brevemente deixará de pertencer ao meu corpo.
O artista também.
Esse há muito que quase
não vive aqui. Deixou-me com três filhos e uma pequena almofada.
É triste. É triste perder
o poeta. É triste perder o artista. Tudo é triste
Quando se perde.
Eu, por exemplo, fico
triste quando perco um botão da camisa,
Quanto mais,
Perder o poeta,
Perder o artista.
Mas eles quase não
conversam comigo.
E o que farei eu com os
três filhos do artista e com a almofada?
Que sejam felizes nas
suas mortes. Muito.
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