25 outubro 2024

O poeta.

 

Dei-me conta que ontem,

Hoje,

O poeta que vive dentro do meu corpo está triste,

Muito triste.

Tenho pena dele, juro. Coitado dele, que sofre tanto…

Mas ele é teimoso, quase não fala comigo, quase que não vive,

Quase que está morto.

E vou ter de me habituar à ideia que ele brevemente deixará de pertencer ao meu corpo.

O artista também.

Esse há muito que quase não vive aqui. Deixou-me com três filhos e uma pequena almofada.

É triste. É triste perder o poeta. É triste perder o artista. Tudo é triste

Quando se perde.

Eu, por exemplo, fico triste quando perco um botão da camisa,

Quanto mais,

Perder o poeta,

Perder o artista.

Mas eles quase não conversam comigo.

E o que farei eu com os três filhos do artista e com a almofada?

 

Que sejam felizes nas suas mortes. Muito.

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