Alijó, 25/10/2024
As tempestades são
pedaços de escuridão, afasto-me, quase que me escondo
Com medo de que a noite
envenene a minha mão,
Sabendo que já não tenho
mão,
Que quase,
Que quase não tenho chão.
E afasto-me para longe das estrelas, e tenho
Tenho tanto medo das
estrelas.
Ao longe oiço as vozes da
noite, peço a deus em quem não acredito,
Que me leve,
Para que eu deixe de sofrer,
para que eu
Novamente tenha mão
Que a noite envenenou.
Que tenha novamente
Chão.
São pedaços de tudo, são
os pregos que me espetam enquanto durmo, enquanto penso
Enquanto estou a defecar,
São as estrelas que
trazem a noite para a minha cama,
E eu, sei lá já quem sou
eu,
Deixei de ser, e sei que
sou
Tudo.
Mas tudo o quê?
Ser tudo aquilo que nunca
quis ser, se sou aquilo que pareço
Isso
Já é outra conversa,
deveras infame
Quando me despedi o
silêncio, quando vendi o sossego
A uma casa de ninharias,
Num dia de vento.
No lamento, afasto-me e
pertenço ao uno, sou agora um pedaço, outro pedaço que assombra a escuridão, no
levante
Eu parecia,
Outro distante abraço.
Outro disfarce
descoberto, a morte me levará, e eu saberei encontrar por entre os cortinados,
O pequeno sorriso da
noite,
O veneno que matou a
minha mão…
Afasto-me.
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